Samhain ou Halloween é comemorado na noite do dia 30 de Abril para o dia 1º de Maio. É o Ano Novo das Bruxas. Dia em que se abrem os portais que nos separam do mundo dos mortos. Temos a chance de vivenciar outras dimensões e falar com nossos antepassados. É o sabbath que nos traz os ventos gelados do sul, indicando-nos o caminho da introspeção criativa.Samhain é a festa céltica dos mortos, venerando o Senhor Ariano da Morte, Samana (os irlandeses a chamam de a Vigília de Saman). Mas desenvolveu-se numa celebração mais do mundo espiritual em geral do que de qualquer Deus específico, assim como da cooperação em curso entre esse mundo e o nosso, de matéria mais densa.
As Bruxas ainda deixam "bolos de alma" para os ancestrais mortos, um costume que se transformou na oferta de refeições ao sem-lar e aos viajantes que se perdem nessa noite. Nos tempos antigos, acreditava-se que se as oferendas e sacrifícios corretos não fossem feitos, os espíritos dos mortos se aproveitariam da abertura na costura entre os mundos para vir causar danos ou maldades aos vivos. A noite ainda retém esse ar ameaçador, mas a maioria das Bruxas não a vê tanto como uma ameaça de ancestrais infelizes do que como a chegada das potências de destruição: fome, frio, tempestades de inverno.
Na Roda do Ano, Samhain marca o início da estação da morte, o inverno. A Deusa da Agricultura cede o seu poder à Terra ao Deus Cornífero da Caça. Os férteis campos do verão cedem lugar às florestas nuas.
Para celebrar esse anoitecer mágico acendiam-se fogueiras nos sidh, ou colinas encantadas, nas quais os espíritos residiam. Aí moravam os espíritos dos ancestrais e deuses vencidos dos períodos mais remotos da história e da mitologia. Pessoas que não participavam nesses ritos, mas temiam, não obstante, a presença de espíritos hostis na terra dos vivos, tentariam rechaçá-los assustando-os com máscaras grotescas talhadas em abóboras e iluminadas por dentro com velas.
Alguns desses aterradores espantalhos parecem ser máscaras mortuárias, mas entre os celtas antigos, a caveira não era uma imagem assustadora mas um venerado objeto de poder. De fato, em certas eras havia um culto muito difundido de caveiras entre as tribos célticas, e vastas coleções de crânios foram desenterradas em escavações arqueológicas.
As modernas caveiras e esqueletos das Bruxas não são assustadores mas sim um lembrete de nossa imortalidade (assim como de nossa mortalidade) porque os ossos são o que dura por mais tempo após a morte, sugerindo que a existência não termina de uma vez para sempre quando o espírito deixa o corpo.
Em culturas xamânicas, uma clássica experiência de iniciação para o novo xamã era "ver" o seu esqueleto, durante um estado de transe visionário, e até assistir ao seu próprio desmembramento por espíritos amigos e ser refeito de novo - uma outra experiência de renascimento e nova vida que as Bruxas celebram nessa mais sagradas das noites.
Samhain era uma noite de morte e ressurreição. A tradição céltica diz que todos os que morrem a cada ano devem esperar até Samhain antes de atravessar para o mundo do espírito, ou o País do Verão, onde começarão suas novas vidas. Nesse momento de travessia, podem aparecer os gnomos e fadas, os espíritos de ancestrais que ainda têm tarefas por concluir neste mundo. Alguns ajudarão os mortos recentes a deixar o nosso mundo e ingressar no próximo; outros poderão vir para brincar e fazer travessuras. Toda vida e morte humana é parte do grande intercâmbio entre os mundos da natureza e do espírito.
Hoje, muitas pessoas tentam pescar maçãs num vasto caldeirão ou barril, apanhando-as com os dentes; a maçã simboliza a alma e o caldeirão representa o grande ventre da vida. A noite é também um tempo para adivinhação quando o futuro pode ser mais facilmente visto por aqueles que sabem perscrutar os dias por vir. A nova vida do ano vindouro é mais evidente nessa noite especial.
Em Salem, não só adivinham o futuro mas o projetam ao vestirem trajes que refletem o que gostariam que viesse a ser ou vivenciassem no novo ano. Também vestem muito laranja para simbolizar as folhas mortas e os fogos agonizantes do verão, assim como o negro tradicional para captar e encher nossos corpos com luz nessa época do ano em que os dias estão ficando mais curtos e existe fisicamente menos luz e calor.
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